Simpósio realizado em Salvador reuniu cerca de 350 profissionais de saúde e reforçou a importância do diagnóstico precoce, do atendimento multidisciplinar e da personalização dos tratamentos

Salvador sediou, neste fim de semana, a sexta edição do Simpósio Interdisciplinar de Doenças Inflamatórias Intestinais (SIDII), consolidando-se como um dos principais centros de discussão científica sobre Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa no país. O evento reuniu aproximadamente 350 profissionais de saúde e 14 especialistas de diferentes estados brasileiros para debater os avanços mais recentes no diagnóstico, monitoramento e tratamento dessas enfermidades.
Durante dois dias de programação, médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e outros profissionais participaram de conferências, mesas-redondas e discussões de casos clínicos. Um dos principais temas abordados foi a Medicina de Precisão, estratégia que busca indicar o tratamento mais adequado para cada paciente, de acordo com as características individuais e o estágio da doença.
Para a gastroenterologista Genoile Santana, responsável técnica do simpósio, diretora da Cliagen (Grupo CITA) e uma das organizadoras do evento, a personalização dos tratamentos representa uma das maiores transformações da área.
“Vivemos dois dias intensos de atualização científica, reunindo diversas especialidades que participam do cuidado desses pacientes. Um dos temas que despertou maior interesse foi a medicina de precisão. Já dispomos de algumas ferramentas capazes de direcionar melhor o tratamento, mas estamos entrando em uma nova fase, com estudos e tecnologias que permitirão definir cada vez mais qual a melhor terapia para cada paciente e em que momento ela deve ser utilizada. Esse é o futuro das doenças inflamatórias intestinais”, destacou.
Outro ponto de destaque foi a mudança no perfil epidemiológico das doenças inflamatórias intestinais no Brasil. Segundo o gastroenterologista José Miguel Parente, elas deixaram de ser consideradas enfermidades raras e passaram a representar um importante desafio para os sistemas público e privado de saúde.
A programação também reforçou a importância da atuação integrada entre diferentes especialidades. O reumatologista Alexandre Ibrahim destacou que manifestações articulares podem acometer até 40% dos pacientes, tornando essencial a atuação conjunta entre gastroenterologistas e reumatologistas para acelerar o diagnóstico e melhorar os resultados do tratamento.
O crescimento dos casos em crianças e adolescentes também foi motivo de preocupação entre os especialistas. A professora da Unicamp, Elizete Lomazi, ressaltou que o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir impactos no crescimento e no desenvolvimento infantil, enquanto a gastropediatra Luciana Rodrigues Silva, da UFBA, apresentou pesquisas que demonstram o aumento da incidência dessas doenças na população pediátrica brasileira.
Outro avanço debatido durante o simpósio foi a utilização do ultrassom intestinal como ferramenta para monitorar a atividade inflamatória dos pacientes. Segundo a gastroenterologista Julia Cabral, da Clínica Ibis (Grupo CITA), o exame permite acompanhar a evolução da doença de forma rápida, segura e sem exposição à radiação, favorecendo decisões terapêuticas mais ágeis.
Com a presença de especialistas de diversas áreas e a discussão de novas tecnologias e estratégias terapêuticas, o VI SIDII reforçou a importância da atualização científica contínua e do atendimento multidisciplinar para ampliar a qualidade da assistência aos pacientes com doenças inflamatórias intestinais.



