Especialista alerta para falta de estrutura, capacitação e empatia no atendimento a pessoas com deficiência
O turismo brasileiro segue longe de ser plenamente inclusivo, com barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais afastando milhões de viajantes com deficiência, neurodivergência ou mobilidade reduzida. Segundo estudo do Ministério do Turismo, mais da metade dessas pessoas deixam de viajar por falta de acessibilidade, mesmo com leis como a Lei Brasileira de Inclusão e o Estatuto da Pessoa com Deficiência garantindo o direito de ir e vir.
Para Santuza Macedo, especialista em turismo inclusivo e CEO da Diamond Viagens, a inclusão exige muito mais do que rampas e banheiros adaptados. É preciso oferecer intérpretes de Libras, audioguias, pisos táteis, linguagem acessível e, principalmente, capacitação das equipes para atender com empatia e dignidade. Ela reforça que adaptar o turismo para todos é um passo civilizatório que garante pertencimento, autonomia e bem-estar.
Embora o cenário seja desafiador, algumas iniciativas inspiram avanços, como o turismo de aventura acessível em Socorro (SP) e o Centro de Memória Dorina Nowill, em São Paulo, reconhecido internacionalmente por sua estrutura inclusiva. No interior do Rio de Janeiro, Santuza observa avanços pontuais em trilhas adaptadas e transporte facilitado, mas ainda há carência de investimento e vontade política.
Com mais de 18,6 milhões de pessoas com deficiência e 32 milhões de idosos no Brasil, a especialista defende que o turismo acessível seja tratado como política pública permanente, com incentivos, editais e formação contínua. Para ela, investir nesse público é unir responsabilidade social e desenvolvimento econômico.



