Entidade afirma que reivindicações da Convenção Coletiva podem comprometer a sustentabilidade financeira das instituições de ensino na Bahia

Crédito da imagem: Pixabay/Banco de imagem.
As negociações da Convenção Coletiva de Trabalho entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE-BA) e o Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (SINPRO-BA) acenderam um alerta no setor de educação privada. Segundo o presidente do SINEPE-BA, Wilson Abdon, o conjunto de reivindicações apresentado pela categoria dos professores pode comprometer a sustentabilidade financeira de muitas instituições de ensino, especialmente as de pequeno e médio porte.
De acordo com a entidade patronal, as despesas com folha de pagamento, encargos e benefícios já representam entre 65% e 70% dos custos operacionais das escolas particulares. O sindicato afirma que, além do aumento das despesas, o setor enfrenta crescimento da inadimplência, redução das matrículas e dificuldades para manter o equilíbrio financeiro das instituições.
Dados do Educacenso 2025 apontam que a Bahia possui 2.573 escolas privadas, responsáveis por 509.712 matrículas. Mais da metade dessas instituições atende até 200 estudantes, enquanto apenas 25 escolas no estado possuem mais de mil alunos. Segundo o SINEPE-BA, o cenário foi agravado pela redução de mais de 37 mil matrículas em 2025, além do fechamento de 214 escolas no estado.
Outro ponto de preocupação citado pela entidade é a possibilidade de mudanças na jornada de trabalho. Com base em levantamento da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), o sindicato afirma que a medida poderá elevar significativamente os custos da educação privada, pressionando as mensalidades e dificultando o acesso de parte das famílias ao ensino particular.
O SINEPE-BA informa reconhecer a importância da valorização dos professores, mas defende que os avanços salariais e benefícios sejam negociados de forma compatível com a capacidade financeira das instituições. Segundo Wilson Abdon, o objetivo é preservar a continuidade das escolas, manter empregos e garantir o acesso da população à educação privada.



