Especialista destaca que prevenção, vínculos saudáveis e busca por ajuda profissional devem fazer parte da rotina durante todos os meses do ano.
📸 Foto: Divulgação
Embora o Setembro Amarelo amplie o debate sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida, o cuidado com a saúde mental precisa ultrapassar o calendário da campanha. Esse é o alerta da psicóloga Manoela Guimarães, sócia-diretora do Gira Mundo, espaço lúdico terapêutico de Lauro de Freitas especializado no desenvolvimento de crianças e adolescentes neurodivergentes.
Segundo a especialista, o mês de conscientização é importante para dar visibilidade ao tema, mas a prevenção deve fazer parte da rotina de pessoas, famílias e ambientes de convivência durante todo o ano.
“Precisamos falar sobre saúde mental em setembro e em todos os outros meses do ano. Cuidar da saúde mental não deve acontecer apenas quando alguém chega ao limite. Prevenção também é construir, todos os dias, condições de vida, relações e ambientes que favoreçam bem-estar, autonomia, vínculos significativos e qualidade de vida”, afirma.
Sofrimento não deve ser ignorado
De acordo com Manoela, procurar ajuda profissional não deve ser encarado apenas como resposta a crises graves. Mudanças persistentes na rotina, isolamento, alterações no sono, na alimentação, perda de interesse por atividades antes prazerosas, dificuldade para trabalhar, estudar ou manter relacionamentos podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico.
Ela também chama atenção para sinais que exigem atenção imediata, como falas relacionadas à desesperança, ao desejo de morrer ou à sensação de ser um peso para outras pessoas. Nesses casos, o acolhimento e a busca por atendimento especializado são fundamentais.
Terapia também é prevenção
A psicóloga ressalta que ainda existe preconceito em relação à terapia porque, durante muitos anos, buscar ajuda foi associado à fraqueza ou apenas a transtornos mentais graves.
Para ela, a psicoterapia também representa um espaço de autoconhecimento, desenvolvimento emocional e prevenção, permitindo que as pessoas aprendam novas formas de lidar com os desafios da vida antes que o sofrimento se intensifique.
Saúde mental faz parte da rotina
Manoela destaca que saúde física e saúde mental estão diretamente relacionadas. Sono adequado, alimentação equilibrada, atividade física, momentos de lazer, relações sociais saudáveis e ambientes acolhedores contribuem para o bem-estar emocional.
Ela também lembra que nem sempre quem sofre apresenta sinais evidentes. Muitas pessoas continuam trabalhando, estudando e convivendo normalmente enquanto enfrentam intenso sofrimento psicológico.
Excesso de telas e dificuldade em impor limites
Entre os fatores que podem afetar a saúde mental estão o uso excessivo das redes sociais e a dificuldade de estabelecer limites nas relações.
Segundo a especialista, mais importante do que contabilizar o tempo diante das telas é refletir sobre o espaço que elas ocupam na rotina e quais atividades estão sendo substituídas. Da mesma forma, aprender a dizer “não” é uma habilidade desenvolvida ao longo da vida e pode reduzir sobrecarga, estresse e exaustão.
Para a psicóloga, cuidar da saúde mental significa também reorganizar prioridades, fortalecer vínculos, construir ambientes mais saudáveis e compreender que pedir ajuda faz parte do cuidado consigo mesmo.



