Mudanças no sono, na alimentação e na atividade física podem anteceder o aumento de peso; endocrinologista destaca importância da prevenção e do acompanhamento individualizado
O ganho de peso nem sempre começa com mudanças perceptíveis na balança. Alterações na qualidade do sono, redução da atividade física, aumento do tempo sentado e mudanças no comportamento alimentar podem ocorrer gradualmente e contribuir para o desenvolvimento da obesidade. O alerta ganha relevância em outubro, mês em que o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado no dia 11, chama a atenção para a identificação precoce de fatores associados à doença.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com obesidade nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 20,2% em 2019 para 25,7% em 2024. O levantamento, divulgado em julho de 2026, aponta um avanço de 5,5 pontos percentuais no período e reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção e acompanhamento da população.
Para a endocrinologista da Clínica SiM, Ana Paula Pires Lázaro de Oliveira, compreender a obesidade como uma doença crônica e multifatorial é fundamental para evitar interpretações simplificadas sobre suas causas.
“O ganho de peso é resultado de um processo que pode envolver diversos fatores e que acontece ao longo do tempo. Mudanças no sono, na alimentação, na atividade física, além de fatores genéticos, hormonais, emocionais e ambientais, podem participar desse processo. Por isso, observar a mudança de comportamento e da rotina é importante antes mesmo de a pessoa perceber uma grande alteração na balança”, explica.
Obesidade vai além do número registrado na balança
Embora o peso corporal seja um dos indicadores utilizados na avaliação clínica, ele não deve ser considerado isoladamente para determinar as condições de saúde de uma pessoa.
Segundo a especialista, a investigação médica precisa considerar aspectos como histórico familiar, composição corporal, hábitos alimentares, qualidade do sono, prática de atividades físicas, uso de medicamentos e possíveis alterações metabólicas.
A análise individualizada permite identificar fatores que podem contribuir para o ganho de peso e orientar estratégias de prevenção ou tratamento adequadas às necessidades de cada paciente.
“A prevenção não deve ser confundida com uma busca permanente por um determinado número na balança. O objetivo é identificar precocemente fatores que possam comprometer a saúde e avaliar cada paciente de forma individualizada. A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e o tratamento não pode ser reduzido à ideia de ‘comer menos e se exercitar mais’”, afirma Ana Paula.
Mudanças na rotina podem funcionar como sinais de alerta
Nem toda alteração de comportamento significa que uma pessoa desenvolverá obesidade. Entretanto, quando determinados sinais persistem ou aparecem simultaneamente, é importante buscar orientação profissional.
Entre os principais fatores que merecem atenção estão:
Aumento gradual do peso: mudanças sucessivas ao longo dos meses, especialmente quando não são intencionais, podem indicar a necessidade de avaliação.
Alterações no sono: dormir poucas horas ou apresentar piora persistente na qualidade do descanso pode estar associado a mudanças no apetite e no metabolismo.
Redução da atividade física: passar mais tempo sentado e diminuir a movimentação diária pode contribuir para o ganho de peso.
Mudanças no comportamento alimentar: episódios frequentes de alimentação por impulso, aumento da frequência das refeições ou dificuldade em reconhecer os sinais de fome e saciedade merecem atenção.
Dietas restritivas recorrentes: ciclos repetidos de emagrecimento e recuperação do peso podem indicar a necessidade de estratégias mais sustentáveis e individualizadas.
A identificação desses fatores não representa um diagnóstico, mas pode ajudar a orientar uma avaliação clínica antes que ocorram alterações mais significativas na saúde.
Tratamento pode exigir acompanhamento multiprofissional
A obesidade envolve fatores metabólicos, hormonais, comportamentais, genéticos e ambientais. Por isso, o tratamento pode exigir a participação de diferentes profissionais de saúde.
Nesse contexto, a Clínica SiM oferece o Programa Vida Leve, uma jornada de acompanhamento com duração de seis meses que reúne atendimentos de endocrinologia, nutrição e psicologia, além de exames e avaliações médicas.
O processo começa com uma análise individualizada do histórico clínico, da rotina e dos hábitos do paciente. A partir dessas informações, a equipe estabelece estratégias de cuidado e acompanha a evolução do tratamento.
Segundo Gabriel Girão Mendonça, médico pós-graduado em Endocrinologia e integrante da equipe do programa, o excesso de peso precisa ser compreendido dentro de um conjunto de condições que podem variar de pessoa para pessoa.
“Não existe uma única causa para o ganho de peso. Por isso, é importante avaliar cada paciente de forma individualizada e considerar fatores como metabolismo, alimentação, sono, rotina e alterações hormonais”, explica.
O acompanhamento é realizado presencialmente nas unidades da Clínica SiM e pode incluir tratamento medicamentoso quando houver indicação clínica.
Canetinhas emagrecedoras exigem avaliação médica
O uso de medicamentos injetáveis para controle do peso, popularmente conhecidos como “canetinhas emagrecedoras”, também faz parte das discussões sobre o tratamento da obesidade.
Esses medicamentos podem ser indicados para determinados pacientes, mas sua utilização depende de avaliação médica, considerando condições clínicas, possíveis contraindicações e objetivos terapêuticos.
A escolha do tratamento deve ser individualizada e acompanhada por profissionais habilitados. O uso de medicamentos não substitui o acompanhamento nutricional, a avaliação dos hábitos de vida e outras medidas necessárias ao cuidado da saúde.
Prevenção começa com acompanhamento e mudanças sustentáveis
A identificação precoce de fatores associados ao ganho de peso pode contribuir para a adoção de medidas preventivas e reduzir riscos relacionados à obesidade.
Mais do que buscar resultados rápidos, a recomendação é estabelecer hábitos sustentáveis, respeitando as características e necessidades de cada pessoa.
A Clínica SiM, integrante da SiMco – Healthcare Platform, atua na oferta de serviços de saúde nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco. Segundo a instituição, a rede possui mais de 230 mil beneficiários ativos e desenvolve iniciativas voltadas à ampliação do acesso a atendimentos médicos.

Serviço
Instituição: Clínica SiM
Programa: Vida Leve – acompanhamento multiprofissional para controle do peso
Duração: Seis meses
Atendimento: Presencial nas unidades participantes
Informações: www.clinicasim.com
Telefone: 0800 357 6060



