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Ferida que não fecha acende alerta para diabetes e risco de amputação

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Tratamentos modernos aceleram recuperação e ajudam a evitar complicações graves

 

Um pequeno machucado que permanece aberto por semanas pode esconder problemas muito mais graves do que a maioria das pessoas imagina. Diabetes, insuficiência vascular, infecções profundas e até risco de amputação estão entre as complicações associadas às chamadas feridas crônicas, condição cada vez mais frequente com o avanço das doenças crônicas e o envelhecimento da população.

 

Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes estimam que cerca de 16 milhões de brasileiros convivam atualmente com a doença, considerada uma das principais causas de feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés. Já as lesões por pressão, conhecidas como escaras, continuam entre os maiores desafios hospitalares devido ao risco de infecções e longas internações.

 

Casos complexos – No Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, o atendimento especializado reúne desde ferimentos simples até lesões de alta complexidade associadas a doenças vasculares e infecções profundas. Segundo a médica clínica especialista em feridas da unidade, Nathalia França, os casos atendidos são variados. “Cuidamos de todos os tipos de ferida, desde as mais complexas, como úlcera por doença arterial periférica, feridas pós-amputações, úlceras venosas, lesões por pressão, até aquelas mais comuns, como ferimento por trauma, queimaduras, cistos e abscessos. Atendemos desde pacientes internados até pacientes ambulatoriais”, destaca.

 

As feridas são classificadas principalmente pelo tempo de cicatrização e pelo agente causador. As agudas seguem um processo cronológico natural e costumam cicatrizar em poucos dias ou semanas, como cortes cirúrgicos e arranhões. Já as crônicas são aquelas que interrompem o fluxo ordenado de reparação tecidual, ultrapassando o período esperado de 4 semanas ou apresentando recorrência, geralmente associadas a diabetes e problemas circulatórios.

 

Tipos de lesão – Entre os tipos mais comuns estão incisões provocadas por objetos cortantes, lacerações com rompimento irregular do tecido, abrasões superficiais (os chamados ralados), perfurações por objetos pontiagudos, queimaduras e úlceras relacionadas à pressão contínua ou problemas vasculares.

 

Segundo Nathalia França, identificar corretamente a lesão é decisivo para o tratamento adequado. “Cada ferida possui características próprias e exige uma abordagem específica. Avaliar profundidade, presença de infecção, quantidade de secreção e circulação sanguínea é fundamental para definir a cobertura ideal e acelerar a cicatrização”, explica.

 

A médica também alerta para os riscos da automedicação. “Muitas pessoas ainda utilizam substâncias inadequadas nas lesões, o que pode piorar infecções e retardar a cicatrização”, afirma.

 

Tecnologia avança – O tratamento de feridas evoluiu dos curativos secos tradicionais para terapias avançadas focadas em manter o leito da lesão úmido e protegido, favorecendo a regeneração dos tecidos. Entre as tecnologias mais utilizadas atualmente estão curativos inteligentes produzidos com hidrogel, alginato, espumas de poliuretano e películas transparentes.

 

Também ganham espaço terapias como pressão negativa (conhecida como curativo a vácuo), matrizes dérmicas bioengenheiradas, substitutos de pele cultivados em laboratório, além de laserterapia, ozonioterapia e oxigenoterapia hiperbárica.

 

“O tratamento moderno de feridas vai muito além do curativo convencional. Hoje conseguimos associar tecnologia, controle de infecção e estímulo à regeneração tecidual para reduzir complicações e melhorar a recuperação dos pacientes”, ressalta Nathalia França.

 

Especialistas reforçam, ainda, que o controle do diabetes, cuidados com a circulação sanguínea, hidratação da pele e atenção a pequenos machucados continuam sendo fundamentais para evitar complicações graves, principalmente em idosos e pacientes com doenças vasculares.

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