Especialista alerta que o diagnóstico precoce evita agravamento da inflamação e reduz o risco de queda acentuada dos fios.

A dermatite seborreica, conhecida popularmente como caspa, vai muito além de um incômodo estético. A doença inflamatória crônica pode provocar queda significativa de cabelo quando não é tratada adequadamente, especialmente em pessoas negras, grupo historicamente sub-representado em pesquisas dermatológicas.
Uma revisão publicada nos Anais Brasileiros de Dermatologia aponta que a dermatite seborreica está entre os cinco diagnósticos dermatológicos mais frequentes na população negra e destaca a necessidade de ampliar os estudos sobre as particularidades desse grupo. Segundo a dermatologista Danìelà Hermes, que atua há mais de 20 anos no cuidado da pele negra, a demora em procurar atendimento é um dos principais fatores que agravam o quadro.
“Muitas pessoas convivem durante anos com coceira intensa, descamação e excesso de oleosidade acreditando que seja apenas caspa. Quando a inflamação permanece ativa por muito tempo, ela compromete a saúde do couro cabeludo e pode provocar uma queda importante dos fios. Quanto antes iniciarmos o tratamento, menores são os riscos de danos persistentes”, afirma.
Além da descamação, a dermatite pode causar alterações na pigmentação da pele negra, como manchas mais claras ou mais escuras após a inflamação, tornando o diagnóstico ainda mais desafiador. De acordo com a especialista, o uso excessivo de pomadas, óleos e finalizadores diretamente no couro cabeludo também pode agravar o problema em pessoas com cabelos crespos e cacheados.
Embora não tenha cura definitiva, a dermatite seborreica pode ser controlada com diagnóstico precoce, shampoos terapêuticos, medicamentos específicos e mudanças na rotina de cuidados. A médica também recomenda controlar o estresse, manter uma alimentação equilibrada e evitar a automedicação, já que alguns produtos podem mascarar ou piorar a inflamação.



