Aumento de casos reforça importância da prevenção e da ampliação do acesso ao teste da orelhinha
Às vésperas do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, celebrado nesta segunda-feira (10), especialistas acendem uma luz urgente sobre o avanço dos casos de perda auditiva no país e sobre as dificuldades que ainda limitam o diagnóstico precoce. Na Bahia, a situação exige atenção redobrada diante das desigualdades regionais que afetam diretamente o acesso aos cuidados básicos de saúde auditiva.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 1,5 bilhão de pessoas convivem com algum grau de perda auditiva no mundo, e 430 milhões já enfrentam surdez incapacitante. No Brasil, mais de 5,8 milhões de cidadãos têm algum nível de deficiência auditiva, e os dados do IBGE mostram que 2,3 milhões declaram ter grande dificuldade ou incapacidade total de ouvir. Para a otorrinolaringologista Dra. Cibele Bicalho, da Clínica Clioc e do Hospital São Rafael, a demora em identificar o problema ainda é um dos maiores obstáculos, especialmente em casos leves que passam despercebidos por anos.
Um estudo da Universidade Federal da Bahia mostra que, apesar do avanço do teste da orelhinha entre 2011 e 2018, a cobertura ainda é abaixo da média nacional. A concentração dos equipamentos nas regiões de Salvador evidencia um desafio histórico: municípios do interior continuam distantes dos recursos necessários, o que compromete o acesso universal previsto pelo próprio Ministério da Saúde.
Entre as principais causas de perda auditiva evitável, especialistas apontam a exposição prolongada a ruídos intensos, o uso inadequado de fones de ouvido, medicamentos ototóxicos sem acompanhamento médico e infecções não tratadas. O teste da orelhinha, obrigatório desde 2010, continua sendo a principal porta de entrada para o diagnóstico precoce, devendo ser realizado até o sétimo dia de vida do bebê.
Para além dos dados, a mensagem dos profissionais é clara. Evitar ruídos excessivos, regular o volume dos fones e realizar exames periódicos são atitudes simples que preservam a saúde auditiva. A conscientização segue como o caminho mais poderoso para impedir que a surdez continue crescendo no país, especialmente em regiões onde o acesso aos cuidados básicos ainda é limitado.
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