Fonoaudióloga explica como maratona de shows, gritos, álcool e exposição ao som intenso podem provocar lesões vocais e prejuízos à audição
O mês de junho reúne duas grandes paixões dos brasileiros: o São João e a Copa do Mundo. Enquanto artistas enfrentam uma intensa maratona de apresentações, milhões de torcedores acompanham os jogos da Seleção Brasileira em festas, bares e fan fests. O resultado é um aumento significativo dos riscos para a saúde da voz e da audição, segundo alerta da fonoaudióloga Carolina Pamponet, especialista em voz profissional.
Durante o período junino, cantores chegam a realizar várias apresentações em um único dia, enfrentando longos deslocamentos, poucas horas de sono, alimentação irregular e uso intenso da voz. De acordo com a especialista, essa combinação favorece problemas como fadiga vocal, rouquidão, inflamações e até lesões nas pregas vocais.
“Quando o público vê o artista no palco, muitas vezes não imagina que ele já passou horas viajando ou realizou outros shows no mesmo dia. A voz é submetida a uma exigência extrema durante esse período”, explica Carolina Pamponet.
Segundo a especialista, o problema vai além das apresentações. Dormir pouco, consumir bebidas alcoólicas, conversar por horas em ambientes barulhentos, enfrentar mudanças bruscas de temperatura e a exposição à fumaça de fogueiras e fogos de artifício aumentam ainda mais o desgaste vocal.
Outro fator frequente é o chamado efeito Lombard, fenômeno em que as pessoas elevam automaticamente o tom de voz para conseguir conversar em ambientes com muito ruído.
“Em festas e shows, as pessoas acabam falando cada vez mais alto sem perceber. Quando isso acontece durante muitas horas, a fadiga vocal aparece com facilidade”, afirma.
Copa do Mundo amplia o esforço vocal
Neste ano, a realização da Copa do Mundo durante o período junino intensifica ainda mais esse cenário. A emoção das partidas leva torcedores a gritarem continuamente em bares, arenas e eventos de transmissão dos jogos.
“Os gritos prolongados podem provocar rouquidão, fadiga vocal e até favorecer o surgimento de lesões nas pregas vocais”, alerta a especialista.
Além dos torcedores, artistas também ampliam suas agendas para apresentações em eventos ligados ao Mundial, acumulando ainda mais esforço vocal.
Atenção também para a audição
A preocupação não envolve apenas a voz. A exposição prolongada ao som alto de shows, paredões, caixas acústicas e grandes aglomerações pode causar prejuízos auditivos.
Sintomas como zumbido, sensação de ouvido tampado e desconforto auditivo após festas não devem ser considerados normais.
“Esses sinais indicam que o sistema auditivo foi submetido a uma carga excessiva de som. Se persistirem por mais de 24 horas, é importante procurar avaliação especializada”, orienta.
Cuidados para proteger a voz
A especialista recomenda algumas medidas simples durante o período de festas:
Dormir bem e manter uma alimentação equilibrada antes dos eventos.
Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede.
Evitar gritar ou competir com o volume do ambiente.
Fazer pausas para descanso da voz sempre que possível.
Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
Evitar exposição prolongada à fumaça de fogueiras.
Manter repouso vocal e boa hidratação após os eventos.
Procurar um especialista caso a rouquidão permaneça por mais de 15 dias.
Para Carolina Pamponet, preservar a saúde vocal é fundamental tanto para profissionais da música quanto para qualquer pessoa.
“A voz é uma ferramenta essencial de comunicação e, para muitos profissionais, também é instrumento de trabalho. Cuidar dela é garantir que possamos aproveitar as festas sem comprometer a saúde”, conclui.



