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Medo de ser excluído pode estar te sabotando sem que você perceba

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Foto: Shutterstock

 

Mais do que medo de perder um evento, a FOMO está ligada ao receio de perder vínculos e reforça a ansiedade em tempos de hiperconexão

O sábado à noite em casa pode ser um convite ao descanso ou uma armadilha emocional. Para quem sofre com o chamado FOMO, sigla para “fear of missing out”, ou medo de ficar de fora, as redes sociais funcionam como gatilho imediato. Basta ver fotos de amigos em um rolê para o arrependimento e a tristeza tomarem conta, ativando um sentimento que vai além de uma simples vontade de estar em algum lugar: a sensação de estar excluído, de não pertencer, e até de ser esquecido por aqueles que fazem parte do seu círculo social ou profissional.

De acordo com a neurocientista e psicoterapeuta Ana Chaves, a FOMO é uma forma moderna de ansiedade alimentada pelas redes sociais e pela constante comparação com a vida dos outros. Não se trata apenas de querer ir a todos os eventos, mas de uma inquietação interna que faz com que muitas pessoas aceitem convites só para evitar o medo de perder algo importante, mesmo que preferissem ficar em casa. No ambiente de trabalho, a síndrome também aparece quando profissionais acreditam que estão ficando para trás em relação a colegas, mergulhando em ciclos de autodepreciação.

Estudos recentes apontam que o medo central da FOMO pode estar mais ligado à perda de conexões afetivas do que ao evento em si. Uma pesquisa da Cornell University, conduzida pela pesquisadora Jacqueline Rivkin, identificou que o desconforto surge ao perceber que as pessoas que você ama se reuniram sem você, independentemente da experiência em si ter sido realmente imperdível. Essa percepção reforça o sentimento de isolamento e acentua a ansiedade, mostrando que o impacto emocional está diretamente relacionado aos vínculos humanos.

Além do impacto emocional, especialistas observam que a FOMO pode desencadear comportamentos prejudiciais, como o uso abusivo de redes sociais e até o aumento do consumo de álcool e drogas, conforme apontou um levantamento da Southern Connecticut State University. Por isso, a psicoterapeuta Ana Chaves destaca a importância de buscar apoio profissional em saúde mental para entender as raízes desse medo e aprender a desenvolver uma relação mais saudável com as próprias escolhas, sem a necessidade constante de validação externa.

Ana Chaves, que também é colunista do UOL e do Valor Econômico, reforça que o equilíbrio emocional passa pelo autoconhecimento e pela consciência de que não precisamos estar em todos os lugares o tempo todo. Com uma abordagem que une ciência e práticas de bem-estar, ela já impactou mais de cinco mil pessoas em mentorias e palestras. Para quem quiser acompanhar seus conteúdos, a profissional está no Instagram no perfil @oficialanachaves.

 

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