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Uma mulher é morta a cada 9 horas desde o início da pandemia

Nos primeiros seis meses, desde o
início da pandemia da Covid-19, em março, três mulheres foram mortas a cada
dia, em crimes motivados pela condição de gênero, que caracteriza feminicídio.
São Paulo (79), Minas Gerais (64) e Bahia (49) foram os estados que registraram
maior número absoluto de casos no período. No total, os estados que fazem parte
do levantamento registraram redução de 6% no número de casos em comparação com
o mesmo período do ano passado.

“Isoladas dentro de suas casas, as
mulheres continuam ou estão ainda mais expostas à violência. Apesar dos dados
oficiais indicarem queda no número de casos, muitos especialistas alertam para
a subnotificação, que, estima-se, seja ainda maior em meio à pandemia, pela
dificuldade de comunicação. Além disto, em alguns casos é difícil obter os
dados de órgãos oficiais”, comenta Helena Bertho, diretora do Instituto AzMina.
Dos 26 estados, sete não responderam ao pedido de informação.

O levantamento “Um vírus e duas
guerras” sobre a violência doméstica durante a pandemia da Covid-19 é resultado
de uma parceria do instituto AzMina com as mídias independentes: Amazônia Real,
Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas, Marco Zero Conteúdo e Ponte
Jornalismo. Esta é a segunda edição do monitoramento da série, que compila
dados sobre violência doméstica, incluindo também ameaça, difamação, calúnia,
estupro, estupro de vulnerável, lesão corporal e supressão de documentos. As
unidades da federação que fazem parte da amostra concentram 94% da população
feminina do País.

Do total, 11 estados e o Distrito
Federal tiveram redução no número de mortes, tendo o DF registrado a maior
queda percentual (56%). Em números absolutos, Rio Grande do Sul e DF
registraram a maior redução nos casos de feminicídio, com respectivamente 18 e
10 mortes a menos do que em 2019. Na outra ponta, Pará e o Mato Grosso foram
responsáveis pelo maior aumento, com 15 crimes a mais no PA e 10 no MT.

O Mato Grosso é também o Estado em
que, proporcionalmente, mais mulheres foram assassinadas desde o início da
pandemia. A taxa de feminicídios entre março e agosto foi de 1,72 por 100 mil
mulheres, três vezes mais do que a média total, de 0,56 por 100 mil mulheres.
Somente outros dois estados, além do MT, registraram índices acima de 1, o
Acre, com 1,32 por 100 mil mulheres e o Mato Grosso do Sul, com 1,16 por 100
mil mulheres. A menor taxa é a do Tocantins, com 0,13 por 100 mil mulheres.

 

Foto divulgação

 

Na análise quadrimestral, foram 304
feminicídios de maio a agosto, 11% a menos na comparação com o mesmo período de
2019, quando 340 mulheres foram assassinadas.

A série “Um vírus e duas guerras” vai
monitorar os casos de feminicídios e de violência doméstica até o final de
2020. O objetivo é dar visibilidade a esse fenômeno silencioso, fortalecer a
rede de apoio e fomentar o debate sobre a criação ou manutenção de políticas
públicas de prevenção à violência de gênero no Brasil.

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“A ideia do monitoramento da violência
contra a mulher surgiu em uma conversa que tive, em março, com a Paula Guimarães,
do site As Catarinas. Estávamos buscando formas de trabalhar em parceria
colaborativa, cada uma dentro de casa por causa da pandemia e utilizando a
tecnologia digital. A situação é bem grave. Então sugeri fazermos um
monitorando convidando mídias independentes das cinco regiões do país; assim
nasceu a série Um vírus e duas guerras”, conta Kátia Brasil, fundadora do site
Amazônia Real.

O levantamento é feito a partir dos
registros de feminicídios e violência doméstica das secretarias de segurança pública
dos estados do Acre (AC), Alagoas (AL), Bahia (BA), Distrito Federal (DF),
Espírito Santo (ES), Maranhão (MA), Mato Grosso do Sul (MS), Minas Gerais (MG),
Mato Grosso (MT), Pará (PA), Pernambuco (PE), Piauí (PI), Rio de Janeiro (RJ),
Rio Grande do Norte (RN), Rio Grande do Sul (RS), Rondônia (RO), Roraima (RR),
Santa Catarina (SC), São Paulo (SP) e Tocantins (TO). Solicitados, os demais 7
estados não forneceram dados.

Fabio Almeida

Tenho 38 anos, nascido em Salvador/Ba, um soteropolitano nato. Jornalista de profissão sigo o compromisso e responsabilidade com a verdade e apuração dos fatos.

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