Esdras Cabus Moreira explica que episódios podem estar relacionados a estresse intenso, traumas e transtornos mentais e chama atenção para a vulnerabilidade de quem enfrenta uma crise
Um episódio de surto não é uma condição restrita a pessoas com diagnóstico prévio de transtorno mental e pode ocorrer diante de situações de estresse intenso, frustração ou sobrecarga prolongada. O alerta é do psiquiatra Esdras Cabus Moreira, que abordou o tema em entrevista ao jornal Correio da Bahia e destacou a necessidade de enxergar esses episódios como situações de sofrimento e vulnerabilidade, e não como espetáculo.
Segundo o especialista, a palavra “surto” é utilizada popularmente para descrever uma alteração intensa e repentina no comportamento habitual. A situação pode envolver confusão mental, desorganização, alterações emocionais e dificuldades na percepção da realidade. Em determinados casos, sinais mais discretos, como aumento da angústia e da desconfiança, podem surgir antes de uma manifestação mais evidente.
Moreira explica ainda que situações de ansiedade extrema, traumas e períodos prolongados de estresse podem contribuir para episódios de descompensação, especialmente quando existem fatores de vulnerabilidade. Os quadros, no entanto, não são todos iguais e podem ter diferentes origens e níveis de gravidade, incluindo episódios psicóticos, que exigem avaliação e acompanhamento adequados.
Outro ponto levantado pelo psiquiatra é a exposição de pessoas em crise nas redes sociais. Cenas de desorganização ou alterações comportamentais frequentemente são filmadas, compartilhadas e transformadas em conteúdo viral. Para o especialista, essa prática desconsidera que a pessoa está atravessando um momento de intenso sofrimento, fragilidade e perda de controle, além de contribuir para reforçar o estigma associado às doenças mentais.

Na entrevista, Esdras Cabus Moreira também discute os desafios da assistência em saúde mental, o papel das internações em quadros graves e as limitações da rede pública de atendimento. O médico defende que o cuidado não esteja concentrado apenas nos momentos de crise, mas alcance também pessoas que apresentam sofrimento psíquico, ansiedade e outros sintomas antes que o quadro se agrave.
Fonte: Informações baseadas em entrevista do psiquiatra Esdras Cabus Moreira à jornalista Flávia Azevedo, publicada pelo jornal Correio da Bahia em 8 de agosto de 2026.
Crédito da foto de capa: IA



