Especialista explica como a doença periodontal pode dificultar o controle da glicemia e destaca a importância da integração entre saúde bucal e acompanhamento médico.
A relação entre diabetes e saúde bucal exige atenção, pois ambas as condições podem influenciar diretamente uma à outra. A doença periodontal, caracterizada por infecção e inflamação dos tecidos que sustentam os dentes, é mais frequente e pode apresentar maior gravidade em pessoas com diabetes, principalmente quando a glicemia não está adequadamente controlada.
Segundo o cirurgião-dentista Gabriel Paternostro, da Oral Unic, essa conexão está relacionada aos processos inflamatórios do organismo. “O diabetes pode favorecer o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal, enquanto a periodontite, por ser uma inflamação crônica, também pode dificultar o controle glicêmico”, explica.
A doença periodontal geralmente começa com o acúmulo de placa bacteriana, provocando inflamação na gengiva. Na fase inicial, conhecida como gengivite, os sintomas incluem vermelhidão, inchaço e sangramento. Quando evolui para a periodontite, a inflamação atinge os tecidos e o osso que sustentam os dentes, podendo causar mobilidade dentária e, nos casos mais graves, perda dos dentes.
Um dos desafios é que a doença nem sempre provoca dor, o que pode retardar o diagnóstico. “Sangramento frequente durante a escovação ou no uso do fio dental, mau hálito persistente, retração da gengiva e dentes com mobilidade são sinais que não devem ser ignorados”, alerta Gabriel Paternostro.
A ligação entre as duas doenças acontece principalmente por meio da inflamação. Em pessoas com diabetes descompensado, os níveis elevados de glicose podem alterar a resposta imunológica, tornando o organismo mais vulnerável à inflamação periodontal. Em contrapartida, a periodontite pode aumentar a inflamação sistêmica e estar associada à maior resistência à insulina, dificultando o controle da glicemia.
Estudos clínicos também apontam que o tratamento periodontal pode contribuir para pequenas melhorias nos níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) em pessoas com diabetes e periodontite. No entanto, o especialista ressalta que o tratamento odontológico não substitui os cuidados médicos. “O tratamento da doença periodontal não substitui medicamentos, alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento médico. O cuidado odontológico deve fazer parte de uma estratégia integrada de saúde”, afirma.
Diante dessa relação, a prevenção é considerada fundamental. Pessoas com diabetes devem manter consultas odontológicas periódicas, realizar higiene bucal adequada e procurar avaliação profissional ao perceber sinais como sangramento gengival. Da mesma forma, pacientes com doença periodontal podem se beneficiar da investigação de fatores de risco metabólicos, especialmente quando apresentam outras condições associadas.
Para Gabriel Paternostro, o cuidado integrado faz diferença na qualidade de vida dos pacientes. “Cuidar da boca também é cuidar do corpo. A saúde bucal não deve ser vista de forma isolada, principalmente quando falamos de doenças crônicas como o diabetes”, conclui.



