Espaço reúne trilha ecológica, plantas sagradas e pontos de conexão com religiões de matriz africana

Salvador deu um passo importante na valorização da cultura afro-brasileira e da educação ambiental com a inauguração do Jardim Etnobotânico, novo atrativo do Jardim Botânico de Salvador, em São Marcos. A trilha de 800 metros, inaugurada nesta quarta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, apresenta 14 espaços temáticos dedicados a plantas sagradas ligadas às religiões de matriz africana, como pimenta-malagueta, arruda, guiné e caruru, associadas a divindades como Osun, Nanã e Iyemonja.
O espaço foi construído pela Prefeitura de Salvador por meio das secretarias da Secis e Semur, e traz placas informativas que combinam saberes botânicos e tradicionais, criando uma experiência de imersão cultural e espiritual. Segundo o prefeito Bruno Reis, a proposta é unir o conhecimento científico e religioso em um espaço de turismo, estudo e contemplação da Mata Atlântica. A trilha já está aberta ao público, com entrada gratuita e visitas guiadas mediante agendamento.
Para a yalorixá Agbá Do Ti Ossain, de 75 anos, a criação do jardim representa um marco para o povo de santo. “Cada orixá tem sua folha, e a cidade precisava de um espaço como esse. É emocionante ver essa valorização da natureza e da fé”, afirmou. A secretária Isaura Genoveva também destacou a importância do espaço como símbolo de resistência e educação ancestral.
A nova trilha ecológica reforça Salvador como território de memória, espiritualidade e pertencimento. Mais do que um jardim, o local é um testemunho vivo da relação entre a fé, a natureza e a identidade negra da capital baiana.



