Especialista alerta que fim gradual de incentivos fiscais pode provocar êxodo de empresas e aumento da desigualdade urbana
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A recente aprovação da reforma tributária marca um momento histórico para o Brasil, mas também acende um alerta para seus possíveis efeitos sociais e econômicos. Segundo o tributarista Plinio Reis, da Bart, as mudanças no sistema podem modernizar o modelo e reduzir burocracias, porém o processo de transição precisa ser conduzido com cautela para evitar desequilíbrios regionais e perdas de competitividade.
Hoje, incentivos fiscais como os relacionados ao ICMS têm papel decisivo no desenvolvimento de áreas menos favorecidas, atraindo empresas, gerando empregos e sustentando economias locais. Com a reforma, a tendência é que a maioria desses benefícios seja extinta até 2032. Embora exista um Fundo de Compensação entre 2029 e 2032, ele será temporário e limitado, o que pode levar empresas a migrarem para regiões mais estruturadas, impactando diretamente o emprego e a renda em cidades dependentes dessas operações.

Esse movimento também pode desencadear uma onda migratória de trabalhadores em busca de novas oportunidades, elevando preços de moradia e aluguel nas áreas mais desenvolvidas e pressionando salários para baixo. Para Plinio Reis, “o melhor momento para se preparar para uma tempestade é antes da chuva começar”, reforçando a necessidade de planejamento estratégico por parte de estados e municípios.
A recomendação é que governos locais invistam em infraestrutura, diversifiquem suas economias e criem mecanismos para reter empresas e talentos. Assim, será possível minimizar os impactos negativos e garantir maior estabilidade econômica mesmo diante das transformações que se aproximam.



