A Copa do Mundo vai muito além da disputa dentro de campo. A cada edição do torneio, milhões de pessoas mudam a rotina, reorganizam compromissos e vivenciam intensamente vitórias e derrotas da seleção. Para a psicanalista Sílvia A. Santana, diretora do Centro de Especialização e Acompanhamento Psicológico & Psiquiátrico (CEAPP), esse envolvimento está relacionado a mecanismos profundos de identidade, pertencimento e construção das relações sociais.
Segundo a especialista, o futebol funciona como um espaço de projeção de desejos, expectativas e frustrações. Durante a Copa, o torcedor tende a se identificar com a seleção nacional, vivenciando os resultados esportivos como conquistas ou perdas pessoais. Esse processo ajuda a explicar por que sentimentos como alegria, ansiedade, tristeza e até luto esportivo se manifestam de forma tão intensa.
A psicanálise também aponta que grandes rivalidades entre seleções despertam memórias coletivas e simbolizam conflitos ligados à competição, reconhecimento e superação. Além disso, estudos mostram que partidas decisivas podem provocar alterações fisiológicas, como aumento da frequência cardíaca, estresse e mudanças de humor, evidenciando que o impacto emocional do futebol vai além da paixão pelo esporte.
Para Sílvia Santana, a Copa do Mundo mobiliza experiências humanas universais, como esperança, medo, pertencimento e desejo de reconhecimento. Por isso, o torneio se torna um fenômeno capaz de reunir pessoas em torno de uma identidade coletiva e transformar o futebol em um importante reflexo das emoções vividas em sociedade.
_Futebol e inconsciente (Foto gerada por IA)_



