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Interior

Pretas Por Salvador participam de Audiência Pública contra o Genocídio Biomítico dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, em São Francisco do Conde (BA)

A co-vereadora da mandata coletiva Pretas Por Salvador (PSOL/BA), Laina Crisóstomo, esteve presente, na manhã desta quarta-feira (24/11), na Câmara Municipal de São Francisco do Conde (BA) para uma Audiência Pública contra o Genocídio Biomítico dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. O evento, tem por objetivo promover debates que encontrem caminhos alternativos e ferramentas políticas para o enfrentamento legal, jurídico e ideológico das agressões cometidas muito por conta do racismo estrutural, da intolerância e do ódio religioso.
Mediante ao último acontecimento de intolerância religiosa praticada em um dos Terreiros de Candomblé na cidade de São Francisco do Conde/BA, a Audiência se firma como uma verdadeira denuncia a esses crimes que ferem os direitos constitucionais, destroça lares e vidas. Fundadora da ONG ‘Tamo Juntas’, a co-vereadora Laina Crisótomo, evidenciou a importância de ter mulheres no espaço parlamentar, promovendo um momento emocionante no qual enalteceu a sua religião e a essência matriarcal que a constrói.
“A minha inspiração e a minha luta é por cada uma de nós. Quando eu vejo mulheres de pé, no fronte e na luta, é quando penso que muitas mulheres romperam barreiras, criaram coragem para fazer com que estejamos aqui nesse espaço que foi negado a nós mulheres pretas durante tanto tempo ocupar. É pelo feminismo, é pela ancestralidade, é pelo candomblé, pela nossa essência e origem que tantas mulheres fizeram resistência e luta”, disse a parlamentar que pontuou ainda a importância de o Estado se preocupar com os terreiros que tem sido destruídos constantemente, ressaltando, inclusive, a necessidade de ter o povo de santo atuando na constituição, assumindo o lugar de fala de quem sente nas suas vivências o racismo, a intolerância e todos os demais fatores que levam o genocídio.
“Terreiro é espaço sagrado, mas também de luta e resistência e esses espaços seguem sendo contra a ditadura e o fascismo, sendo um local de acolhimento a quem sofre todos os dias com violação dos direitos humanos. Nossos terreiros, em todo esse período pandêmico, foi quem garantiu alimento a muitas pessoas que não tinham o que comer, enquanto o governo brasileiro vira as costas e constrói uma política genocida contra o nosso povo”, enfatizou Laina.
A professora da rede estadual de ensino e também militante, Ana Célia, saudou os homens presente, mas enalteceu as mulheres de luta que estavam no evento. Ela fez uma fala que trouxe o histórico de perversidade em que o povo negro e também de religiões africanas enfrentam desde os antepassados. “Desde muito tempo perdemos tudo. Muitos de nós foram tombados. Perdemos entes queridos, perdemos coisas matérias, mas desde então não perdemos a nossa essência. E é essa ancestralidade que nos contempla e nos fortalece. Por isso precisamos valorizar quem chegou antes de nós, porque são pessoas que nos deram fortaleza e segurança construíram o respeito da nossa história”, disse, ela.

A Ialorixá, Djane ABALOJI explica a necessidade de falar sobre o genocídio, do povo exigir respeito e igualdade. Na ocasião também menciona os casos de intolerância que já sofreu. “O que o povo de santo, o povo preto, de axé que carrega suas coroas, seus eledás, precisa ter seu Oris fresco. Não demonize a nossa religião, nos respeite. Eu também sou autoridade religiosa e vocês também são, então se imponham”, disse Djane Abaloji.
A Audiência Pública teve como organização as Comissões de Direitos Humanos, da Igualdade Racial, de Educação e de Mulheres da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) em parceria a Câmara Municipal de São Francisco do Conde (BA) requerida pelo FOSENPOTMA (Fórum Nacional de Segurança alimentar dos povos tradicionais de Matriz Africana). Que não conseguiu assistir, pode acompanhar no YouTube e Facebook da TV ALBA.

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Jacson Gonçalves

Tenho 25 anos sou natural de Salvador, Bahia. Sou cadeirante, jornalista, Blogueiro e Digital influencer. Ser jornalista é também contribuir com o exercício da profissão e ter na veia a responsabilidade social de levar informação e entretenimento.

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