Longa de Everlane Moraes une mito africano, realismo fantástico e protagonismo feminino em produção 100% baiana
O Recôncavo Baiano se prepara para receber as filmagens de O Segredo de Sikán, primeiro longa de ficção da cineasta cachoeirana Everlane Moraes. A obra, inspirada em um mito africano, terá início de gravações em outubro de 2025 nas cidades de Cachoeira e São Félix, explorando o gênero do realismo fantástico para abordar protagonismo feminino e disputas territoriais. Entre os nomes em negociação para o elenco está Grace Passô, primeira dramaturga negra a conquistar o Prêmio Shell de Teatro.
Na trama, a diretora reinterpreta a lenda de Sikán, princesa da antiga Nigéria que, na versão original, é condenada à morte por homens sob acusação de revelar um segredo sagrado. Everlane propõe um desfecho diferente: em vez de morrer, Sikán se transforma em um peixe mágico que viaja até o rio Paraguaçu, na Bahia, para lutar por justiça e pelo retorno do sol ao seu povo. A proposta busca ressignificar o papel feminino no mito, antes marcado por uma ótica misógina.
O projeto, que já passou por laboratórios e foi premiado no Brasil e no exterior, é fruto de anos de pesquisa da diretora, que viveu em Cuba, onde conheceu a história através da obra da artista Belkis Ayón, e viajou à Nigéria para aprofundar conexões com o território original. As filmagens, predominantemente noturnas, terão elenco formado exclusivamente por artistas negros, com destaque para talentos locais. O enredo ambienta Cachoeira como cidade matriarcal privada do rio e São Félix como cidade industrial que retira sua força de uma luz mágica extraída das águas, em um cenário distópico e de tensão social.
O Segredo de Sikán é uma coprodução da Carapiá Filmes e da Pattaki Produções, com distribuição da Embaúba Filmes e apoio da Odé Produções, além de recursos da ANCINE e da Lei Paulo Gustavo. Everlane, natural de Cachoeira e com trajetória premiada no Brasil e no mundo, reafirma com o projeto seu compromisso de colocar as mulheres negras no centro das narrativas, unindo ancestralidade, arte e cinema para contar histórias que atravessam oceanos e séculos.



