
Especialista destaca que longas jornadas, pressão por produtividade e falta de descanso aumentam os riscos de acidentes entre motoristas e entregadores.
Mais de 2 milhões de brasileiros têm no trabalho por aplicativos sua principal fonte de renda. O crescimento desse modelo de ocupação, porém, tem sido acompanhado por um aumento das preocupações com a segurança desses profissionais, que enfrentam jornadas prolongadas, trânsito intenso e pressão constante por produtividade.
Dados do IBGE apontam que mais de 2 milhões de pessoas atuam em plataformas digitais como motoristas, entregadores e prestadores de serviços. Já o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), registra que somente em 2024 foram concedidos mais de 180 mil auxílios-doença acidentários (B91). Desde 2012, o país contabilizou mais de 8,8 milhões de acidentes de trabalho, cerca de 32 mil mortes e mais de 573 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos.
Na Bahia, o cenário também preocupa. Dados do MPT-BA e da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) mostram que o transporte rodoviário está entre as atividades com maior número de acidentes de trabalho. Embora não exista um levantamento específico sobre trabalhadores de aplicativos, especialistas apontam que motoristas e entregadores estão entre os grupos mais expostos aos riscos.
Para a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, sócia da consultoria Escutaris e autora do livro Quando o Trabalho Dói, o modelo de remuneração adotado pelas plataformas pode estimular jornadas excessivas. “Quanto maior o número de entregas ou corridas, maior costuma ser a remuneração. Esse modelo faz com que muitos trabalhadores reduzam o tempo de descanso, enfrentem jornadas prolongadas, negligenciem sinais de fadiga e, em alguns casos, ultrapassem os limites de velocidade. O resultado é um aumento significativo no risco de acidentes, lesões graves e adoecimento físico e emocional”, afirma.
A especialista destaca que medidas simples, como respeitar os limites de velocidade, realizar pausas para descanso, manter os veículos em boas condições, utilizar equipamentos de proteção e adotar práticas de direção defensiva, são fundamentais para reduzir os riscos. Ela também reforça que esses trabalhadores devem conhecer seus direitos previdenciários e buscar acompanhamento médico sempre que necessário.



