Vivência de Jacson Gonçalves, integrante do Jack Comunica e pessoa com deficiência, reacende debate sobre acessibilidade, dignidade e planejamento estrutural em grandes eventos
A pauta da inclusão no Carnaval de Salvador voltou ao centro das discussões após a experiência vivenciada por Jacson Gonçalves, integrante do Jack Comunica e pessoa com deficiência, durante passagem por um camarote de grande porte na terça-feira, 17 de fevereiro, último dia oficial da programação.
Jacson esteve no espaço como folião, a convite, acompanhado por Fabio Almeida, sócio-diretor do Jack Comunica. O que deveria ser uma experiência de celebração revelou situações que levantam questionamentos sobre acessibilidade e condições sanitárias em eventos privados de grande porte realizados durante o Carnaval.
Um dos pontos observados foi a limitação da área destinada a Pessoas com Deficiência (PCD). Segundo Jacson, o espaço reservado era reduzido e inserido em uma configuração interna que dificultava a circulação. Mesas e cadeiras posicionadas próximas ao local comprometiam a mobilidade, exigindo constantes pedidos de passagem e reduzindo a autonomia, aspecto central quando se fala em acessibilidade real.
A inclusão em grandes eventos não pode se restringir à demarcação de um espaço. Ela precisa garantir circulação segura, visibilidade adequada, independência e permanência com dignidade.
Além das questões estruturais, a condição do banheiro disponibilizado ao público chamou atenção. Tratava-se de banheiro químico sem sistema de descarga convencional. No momento da utilização, era possível visualizar acúmulo de resíduos no reservatório, incluindo urina e fezes, além de forte odor característico de material orgânico concentrado.
A situação era perceptível visualmente e pelo odor, evidenciando uso contínuo sem renovação adequada do conteúdo do reservatório. Em um evento com grande fluxo de foliões e funcionamento prolongado, a condição compromete padrões mínimos de higiene e conforto.
Funcionários que atuavam no local informaram que a situação já havia sido comunicada internamente à gestão ao longo dos dias de funcionamento do camarote. Até o último dia da festa, contudo, não havia alteração estrutural perceptível no equipamento.

Quando se fala em acessibilidade no Carnaval de Salvador, a estrutura sanitária também integra o conceito de inclusão. Pessoas com deficiência, idosos e foliões com mobilidade reduzida dependem de condições adequadas para utilização segura dos espaços. A ausência de solução eficaz para um equipamento nessas condições impacta diretamente a experiência e a dignidade do público.
A assessoria do Camarote Planeta Band foi procurada e informou que a situação seria encaminhada à gestão responsável. Até o momento, não houve detalhamento público sobre eventuais providências adotadas.
O Jack Comunica reforça que a publicação tem caráter construtivo. Como veículo que abraça a causa da inclusão, entende ser seu dever registrar experiências que evidenciem a necessidade de aprimoramento estrutural. Independentemente de vínculo com a imprensa ou não, todo folião, especialmente pessoas com deficiência, merece respeito, condições adequadas e dignidade.
O Carnaval de Salvador é uma vitrine mundial. A acessibilidade e as condições sanitárias precisam acompanhar essa grandeza.
Redação Jack Comunica


