Especialista aponta desafios para pequenos negócios e destaca revisão de processos, automação e produtividade como alternativas para reduzir custos

O fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Congresso Nacional, deverá exigir mudanças na organização das empresas brasileiras, especialmente em setores que mantêm atividades durante toda a semana. Na Bahia, comércio, turismo, bares e restaurantes estão entre os segmentos que poderão enfrentar maiores desafios para conciliar a redução da jornada, os custos operacionais e a preservação dos empregos.
Na avaliação de Daniel Saraiva Filho, planejador financeiro CFP, assessor de investimentos e sócio da Onix Capital, a mudança representa um avanço no tempo de descanso dos trabalhadores, mas também exigirá planejamento das empresas, principalmente dos pequenos negócios.
“O fim da escala seis por um representa uma mudança importante nas relações de trabalho com impacto tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. No curto prazo, isso pode representar aumento de custos, especialmente no comércio, turismo, bares e restaurantes, nas lojas que abrem sete dias na semana, que são setores muito relevantes para a economia baiana, por ter uma forte presença de pequenos negócios”, avalia.
Novas jornadas exigem reorganização das equipes
Conforme as regras de transição apresentadas na proposta aprovada, as empresas terão 60 dias após a promulgação para se adaptar à escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso, com jornada inicial de 42 horas semanais.
A previsão é que a carga horária seja reduzida posteriormente para 40 horas semanais, após 14 meses, sem diminuição dos salários.
Para empresas que precisam funcionar diariamente, a mudança poderá exigir revisão das escalas, reorganização de equipes e adequações no planejamento financeiro para manter o atendimento ao público.
“O grande desafio será conciliar essa jornada menor para o trabalhador com a competitividade das empresas e a preservação dos empregos. No longo prazo, porém, podemos ter até ganhos de produtividade, alguma melhoria na qualidade de vida com um dia mais livre e algum estímulo ao consumo por esses trabalhadores”, projeta o especialista.
Automação e produtividade podem ajudar empresas
Segundo Daniel Saraiva Filho, a adaptação não deve se limitar à reorganização dos horários. A revisão de processos internos e a adoção de tecnologias podem contribuir para compensar parte dos custos adicionais decorrentes da redução da jornada.
Entre as alternativas apontadas estão a eliminação de desperdícios, a automação de tarefas e a busca por maior eficiência nas operações.
“Eu vejo, especialmente do ponto de vista das empresas, uma oportunidade e um desafio de transformar esse limão em uma limonada. É o momento, talvez mais importante, de rever processos internos, eliminar desperdícios, automatizar tarefas e investir mesmo em eficiência e produtividade, buscando compensar eventuais aumentos de custos com essa redução de jornada”, destaca.
Pequenos negócios exigem atenção na transição
O especialista ressalta que micro, pequenas e médias empresas poderão enfrentar dificuldades adicionais, por trabalharem frequentemente com equipes reduzidas e menor capacidade financeira para absorver aumentos de despesas.
Em setores como alimentação, hospedagem e comércio, a necessidade de manter o funcionamento durante fins de semana e feriados torna o planejamento das escalas um dos principais pontos de atenção.
Para Daniel, os resultados econômicos da mudança dependerão da capacidade de cada empresa de reorganizar suas atividades e incorporar ganhos de produtividade.
A redução da jornada também poderá produzir efeitos sobre o consumo e a qualidade de vida dos trabalhadores, embora esses resultados dependam das condições de implementação e da adaptação do mercado.
Verificação editorial: A Emenda Constitucional nº 141/2026 foi promulgada em 16 de outubro. A Agência Senado confirma a transição para 42 horas semanais após 60 dias e para 40 horas após 14 meses, sem redução salarial. Também há previsão de regras de compensação mediante negociação coletiva.



