Organização do dia pode ajudar crianças a dividir melhor o tempo entre tecnologia e outras atividades
Encontrar espaço para tecnologia, brincadeiras, descanso e convivência dentro da mesma rotina se tornou uma tarefa comum para muitas famílias. Celulares, tablets e televisores fazem parte do cotidiano, mas o uso desses dispositivos pode ocupar períodos que também poderiam ser destinados ao movimento, à leitura e ao contato com outras pessoas.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que crianças pequenas tenham períodos adequados de sono e atividade física e que o tempo sedentário diante de telas seja limitado. Para crianças de 2 anos, a indicação é de no máximo uma hora por dia de tempo sedentário diante de telas. Para crianças de 1 ano, esse tipo de atividade não é recomendado.
Na prática, a organização começa dentro de casa. Uma criança pode utilizar um tablet durante determinado período, brincar depois, fazer uma refeição com a família e reservar a noite para atividades mais tranquilas.
A ideia não é eliminar a tecnologia. É evitar que ela se torne a principal opção para preencher todos os momentos livres.
Brincar, correr, desenhar, ler, conversar e passar algum tempo sem uma atividade programada também fazem parte da infância. A OMS recomenda que períodos sedentários sejam substituídos, sempre que possível, por atividades que favoreçam interação, incluindo leitura e contação de histórias com adultos.
O sono também entra nessa organização. Para crianças de 3 a 4 anos, a OMS recomenda de 10 a 13 horas de sono em um período de 24 horas, incluindo cochilos. Entre 1 e 2 anos, são indicadas de 11 a 14 horas.
Por isso, o horário em que as telas são utilizadas pode ser tão importante quanto o tempo total de exposição. Uma criança que utiliza um aparelho durante o dia está em uma situação diferente daquela que permanece conectada até poucos minutos antes de dormir.
O Brazil Em Evidência tem acompanhado diferentes assuntos relacionados à infância e ao bem-estar. Em uma reportagem recente, o portal mostrou a importância do acolhimento e da participação das famílias no cuidado de crianças e adolescentes durante uma atividade de um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil.
O conteúdo mostra uma dimensão importante da rotina infantil. O desenvolvimento não acontece isoladamente e envolve também a relação da criança com familiares, profissionais e diferentes espaços de convivência.
A mesma perspectiva pode ser aplicada ao uso de tecnologia. Quando os responsáveis participam da rotina, fica mais fácil identificar se o tempo diante das telas está ocupando o espaço de outras atividades.
Uma estratégia possível é estabelecer momentos específicos para os dispositivos. Outra é criar períodos em que toda a família deixe os aparelhos de lado, como durante as refeições ou antes de dormir.
A participação dos adultos também é importante porque crianças observam comportamentos. Quando os pais conseguem reduzir o próprio uso de celulares em determinados momentos, a regra deixa de ser apenas uma exigência feita aos filhos.
Não é necessário estabelecer uma rotina perfeita. O objetivo é criar um equilíbrio possível para cada família.
A tecnologia pode estar presente nas brincadeiras, no aprendizado e no entretenimento. Ao mesmo tempo, atividades físicas, descanso, leitura e convivência continuam ocupando espaços importantes.
A própria OMS destaca que todos os grupos etários devem reduzir o tempo sedentário e que qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma.
Mais do que contar quantas horas uma criança passa diante de uma tela, observar como a tecnologia está dividindo espaço com o sono, o movimento e a convivência pode ajudar a família a encontrar uma rotina mais equilibrada.



