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Cultura

EXPOSIÇÃO “MORRO DA CONCEIÇÃO: VIDA E SENTIMENTO”

A primeira Exposição individual do artista plástico Arnóbio Escorel, retrata a vida urbana no Morro da Conceição. Além de retratar as casas e escadarias sua arte contém muita vida e a cada novo olhar enxergamos novas cenas, traduzindo o cotidiano, sentimentos e a religiosidade de toda a comunidade. Esta exposição traz ao espectador uma reflexão da vida do povo brasileiro, aqui representado pela comunidade do Morro.

A escolha da data da Exposição, também é uma homenagem do artista a N.Sra. da Conceição, ao qual é devoto, e faz aniversário no dia 8 de dezembro, dia da grande festa e procissão no Morro da Conceição, data comemorativa em todo Recife e região.

Sobre Arnóbio Escorel

Arnóbio Escorel nasceu em João Pessoa em 19/11/1952, veio morar no Recife com 2 anos de idade, adotando a capital pernambucana como sua terra do coração. Seu interesse pela arte começou aos 17 anos, quando ia de carona com a amiga Suzana Queiroz, frequentar o ateliê do pintor José Tavares, desaparecido na ditadura. Localizado em Olinda, Pernambuco, o ateliê de Tavares, como era conhecido, foi o ponto de encontro de vários artistas plásticos como Ferreira, João Câmara, Montez Magno e Arnóbio Escorel. Também teve aulas de pintura com Pierre Chalita, no seu ateliê na Rua Camboa do Carmo, mas logo teve que interromper para prestar vestibular. Ao longo da sua vida dedicada a Engenharia, mesmo que esporadicamente, pintava uma tela colocando nela algumas ideias que formigavam. Como em 1980 fez a tela Catuama, da praia que frequentava em Pernambuco. No ano 2000, a parede nua de seu apartamento pedia um quadro que ele não conseguia encontrar, viu uma cena de um caboclo de lança que o fez pegar uma tela grande e aplicar técnicas que tinha aprendido. Inquieto, nunca achou que o quadro tinha ficado como desejava, apesar dos elogios dos amigos e da incredulidade de um amigo que chegado do Canadá descobriu que o quadro que ele queria levar de volta para sua casa havia sido simplesmente descartado e não recuperado, apesar do desespero da sua esposa. Ainda em 2000, ano em que fez o Caboclo de Lança, foi até o centro tirar uma foto de uma paisagem que ele admirava, a Rua da Aurora, e mais uma tela surgiu na parede do novo apartamento. Nestes tempos, a grande paixão voltou-se para a vela: participou de várias regatas, inclusive para Fernando de Noronha até comprar seu próprio veleiro e fazer dele um companheiro de grandes aventuras por 10 anos. Com tantos afazeres nos trabalhos, após a aposentadoria e passar por problemas de saúde, ganhou telas para pintar, pois aquela atividade iria tanto aliviar o stress de tratamentos pesados quanto dedicar-se a uma atividade em que já mostrara talento. Em plena pandemia voltou-se para que as telas iniciando uma série de pinturas que evocavam os lugares conhecidos e saudosos da sua vida. Para o período conturbado da pandemia, fez um quadro para sua companheira de vida, retratando o Morro da Conceição com destaque para a igreja de sua santa de devoção. E aí as ideias foram brotando, a necessidade de colocar nas telas foi tão grande que ele começou a usar placas cortadas em MDF, fornecidas pelo marceneiro que trabalhava numa reforma na sua casa. E de lá começaram a surgir quadros que coincidentemente sempre foram para pessoas que entendiam significados de seus próprios sonhos e que eram confirmados pelas telas. Como o quadro Jardim Secreto do Poço da Panela, que ao ser entregue a dona, trouxe a ela a expressão da sua própria superação de vida. Como também o quadro Casa de Branca Dias, que foi recebido pela dona como confirmação

de sua paixão por estudar a história dos Judeus em Pernambuco, que vinha sendo deixada de lado ao longo do tempo. Ou despertar o desejo por uma pessoa de um quadro que já tinha dono com os seus detalhes, e um em especial tornava-se “libertador”, por ter uma menina empinando pipa no quadro Visão Ampliada do Morro da Conceição, que era um sonho de criança participar desta brincadeira vetada pelo pai por ser “brincadeira de menino”. Em cada quadro a riqueza de detalhes cotidianos, fáceis de visualizarmos e que levam a esta sensação de despertar memórias longínquas, saudosas e que trazem a felicidade ao vê-las retratadas de forma tão simples. Assim é a obra de Arnóbio Escorel, usando a técnica do NAIF, deixa transpirar as suas emoções através de cada pincelada, cada cor, sensibilizando a todos com suas cenas simplórias que contem a verdade da beleza na vida das pessoas.

Atualmente, Arnóbio Escorel, vem tendo sua arte divulgada, através de vários leilões, dentre eles o I Leilão Social, nacional, no formato híbrido, com sede em Brasília, através da exposição na Casa Albuquerque Galeria de Arte. Apenas quatro artistas de Pernambuco participam deste Leilão. Além de Arnóbio Escorel, Daniel Dobbin, George Barbosa e Romero de Andrade Lima. Arnóbio também vem participando de várias mostras de arquitetura pelo país. Entre elas, está atualmente na CasaCor-PE, no ambiente da arquiteta Cecilia Lemos.

Depoimentos:

“Arnóbio Escorel pelo que me consta é um artista nato, pintando na década de 80 com outros artistas de Olinda iniciando sua trajetória artística. Não sei porque parou de praticar a sua pintura, porém retornou depois de vários anos, vejo a sua maturidade em seus quadros, um verdadeiro colírio para o espectador. Seus casarios de um colorido fantástico é como estivesse ao vivo olhando os morros do Recife. Pelo que vi em seus trabalhos, ele está pronto para encarar a sua nova atividade de maneira admirável, contribuindo com seu talento para elevar o nome de Pernambuco para outros horizontes…”

FERREIRA, artista plástico.

“Falar sobre o trabalho de Arnóbio Escorel é falar do cotidiano dos morros do Recife, das casinhas coloridas, escadarias e o vai e vem dos moradores das comunidades. Conheci a obra de Arnóbio recentemente e fiquei impressionado com a qualidade gráfica e o nível de detalhismo que ele imprimi nos seus quadros. Uma obra consistente no estilo Naif. Apesar desse estilo estar bem próximo do popular e do primitivo, a obra de Arnóbio é de uma riqueza em detalhes, formas e cores, que muitas vezes passeia até por estilos considerados eruditos”.

 DANIEL DOBBIN, artista plástico.

Curadoria: Ana Cláudia Thorpe, além de jornalista, é curadora de arquitetura e artes plásticas, tendo em seu currículo algumas exposições, como cinco edições da Mostra DeAaZ, a Exposição de Marta Souza Leão, no Museu do Estado de PE, a individual de Frederico Grumari, a, exposição de Paulo Sérgio Niemeyer, exposição de Martiniano Ferraz, a Coletiva de Grandes Nomes em 2019, onde transformou uma concessionária em galeria, participação no Leilão Social ParaTodos, entre outras.

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Jacson Gonçalves

Tenho 25 anos sou natural de Salvador, Bahia. Sou cadeirante, jornalista, Blogueiro e Digital influencer. Ser jornalista é também contribuir com o exercício da profissão e ter na veia a responsabilidade social de levar informação e entretenimento.

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