Neurocientista Ana Chaves alerta para riscos de burnout e defende estratégias práticas de autocuidado
O estresse crônico deixou de ser apenas um mal-estar do dia a dia para se tornar um grave problema de saúde pública. Dados oficiais mostram que, em 2014, cerca de 203 mil brasileiros foram afastados por transtornos ligados à saúde mental. Já em 2024, o número saltou para mais de 440 mil afastamentos, recorde histórico. Entre os mais afetados estão os professores, categoria exposta a pressões constantes, sobrecarga digital, violência escolar e falta de valorização profissional.
Segundo a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, a exposição contínua ao estresse afeta diretamente áreas do cérebro responsáveis pela memória, tomada de decisão e motivação. “O burnout não é apenas uma fadiga passageira, mas uma condição que compromete o cérebro, aumenta riscos cardiovasculares e acelera o envelhecimento precoce”, alerta a especialista, que também colabora com UOL e Valor Econômico.
Estudos internacionais reforçam os impactos do estresse crônico, relacionando altos níveis de cortisol a quadros de demência precoce, declínio cognitivo e até redução do volume cerebral. No ambiente escolar, os gatilhos são permanentes e comprometem tanto a saúde dos docentes quanto a qualidade do ensino.
Para enfrentar esse cenário, Ana Chaves recomenda estratégias de autocuidado, como pausas conscientes, respiração regulada, mindfulness e fortalecimento de redes de apoio. Ela também lembra que escolas e famílias precisam assumir corresponsabilidade na prevenção. “Não se trata apenas de cuidar do professor, mas de criar condições para que ele ensine com saúde e motivação”, conclui.
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