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Diagnóstico precoce amplia chances de cura do câncer de pulmão

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Agosto Branco reforça a importância da prevenção, do rastreamento em pessoas de risco e dos avanços no tratamento da doença

O câncer de pulmão continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública mundial. Muitas vezes silenciosa em seus estágios iniciais, a doença costuma apresentar sintomas apenas quando já está mais avançada. Durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de pulmão, especialistas reforçam que abandonar o tabagismo, identificar precocemente pessoas de maior risco e iniciar o tratamento o quanto antes podem mudar significativamente o prognóstico dos pacientes.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 35.380 novos casos anuais de câncer de traqueia, brônquios e pulmão entre 2026 e 2028. Na Bahia, a estimativa é de 1.590 novos diagnósticos em 2026, sendo 380 apenas em Salvador. O tabagismo permanece como o principal fator de risco, estando relacionado a cerca de 85% dos casos.

Para pessoas com alto risco, o rastreamento tem papel decisivo. De acordo com a pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora da Medicina Respiratória do Hospital Mater Dei Salvador, a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose é o exame indicado para detectar alterações ainda sem sintomas.

“A principal ferramenta é a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. Ela consegue identificar nódulos pequenos, antes do surgimento de sintomas e em uma fase na qual as possibilidades de tratamento curativo são maiores”, explica.

O exame costuma ser recomendado para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico intenso de tabagismo, equivalente a pelo menos 20 anos-maço, que ainda fumam ou deixaram o cigarro há menos de 15 anos. Além do cigarro, fatores como exposição ao amianto, sílica, fumaça de diesel, poluição do ar e fumo passivo também aumentam o risco da doença.

Quando o tumor é identificado em estágio inicial, a cirurgia pode representar a principal possibilidade de cura. Entre as opções disponíveis está a cirurgia robótica, que amplia a precisão durante o procedimento.

Segundo o cirurgião torácico Pedro Leite, do Hospital Mater Dei Salvador e diretor do Núcleo de Cirurgia Torácica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR), a tecnologia oferece maior precisão em áreas delicadas do tórax.

“A plataforma oferece visão tridimensional ampliada, filtra tremores e permite movimentos muito precisos dos instrumentos. Isso facilita a dissecção ao redor de vasos, brônquios e linfonodos, mantendo os mesmos princípios oncológicos da cirurgia convencional”, afirma.

O especialista ressalta, porém, que a indicação depende de uma avaliação individualizada. “A escolha depende do estágio, da localização do tumor, das condições clínicas e da avaliação de uma equipe multidisciplinar. Quando bem indicada, a abordagem robótica pode reduzir o trauma cirúrgico, a dor e o tempo de recuperação”, destaca.

Além dos avanços terapêuticos, os médicos reforçam que a prevenção continua sendo a medida mais eficaz. Eles alertam ainda que cigarros eletrônicos e dispositivos de vape não são alternativas seguras, pois também podem conter nicotina e outras substâncias tóxicas associadas ao desenvolvimento de doenças.

Os especialistas orientam que sintomas como tosse persistente, escarro com sangue, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço e perda de peso sem causa aparente devem ser investigados. “A ausência de sintomas não significa ausência de doença nas pessoas de alto risco. Essa é justamente a razão pela qual o rastreamento adequado pode fazer diferença”, conclui Fernanda Aguiar.

 

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