Especialista da XP na Bahia explica como o planejamento financeiro na infância pode ajudar famílias a construir reservas para a educação e o futuro das crianças

O Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), pode ser uma oportunidade para as famílias refletirem sobre o futuro financeiro dos filhos. Além dos presentes e das brincadeiras, a data chama atenção para a importância da educação financeira desde a infância e do planejamento de investimentos destinados a objetivos de longo prazo, como o pagamento de uma faculdade.
Uma revisão de mais de 100 estudos conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge aponta que hábitos e atitudes relacionados ao dinheiro começam a se formar por volta dos sete anos. No Brasil, dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2022 mostram que apenas 2% dos estudantes avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência em educação financeira, enquanto a média dos países participantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) foi de 11%.
Para Rodrigo Icó, líder da XP na Bahia, ensinar crianças a lidar com o dinheiro não exige começar por conceitos complexos de investimentos. O aprendizado pode surgir em situações simples do cotidiano, envolvendo escolhas, organização e planejamento.
“O mais importante é que a criança comece a entender, de acordo com a sua idade, que o dinheiro está relacionado a escolhas, planejamento e objetivos. Quando os pais transformam esses conceitos em situações do dia a dia, fica mais natural desenvolver uma relação responsável com o dinheiro ao longo do tempo”, explica.
Educação financeira pode começar ainda na primeira infância
O contato com a educação financeira pode ser adaptado a cada fase do desenvolvimento infantil.
Entre os três e seis anos, os responsáveis podem apresentar conceitos como a diferença entre necessidade e desejo, além da importância de esperar para conquistar determinados objetivos. Um cofrinho transparente, por exemplo, permite que a criança acompanhe visualmente o crescimento do dinheiro guardado.
Dos sete aos 12 anos, a mesada pode funcionar como uma ferramenta de aprendizado. Uma possibilidade é dividir os recursos entre valores destinados ao consumo, à poupança e à ajuda a outras pessoas.
Se uma criança deseja comprar um brinquedo de R$ 100 e consegue guardar R$ 10 mensalmente, ela pode compreender, na prática, a importância da disciplina e do planejamento para alcançar uma meta.
Na adolescência, a educação financeira pode avançar para o uso responsável de contas bancárias e o primeiro contato com investimentos, sempre sob supervisão dos responsáveis legais e conforme as regras das instituições financeiras.
“Não existe uma idade única ou uma fórmula pronta. O planejamento precisa considerar a realidade de cada família e, principalmente, o objetivo que se quer alcançar. Para uma criança, o grande diferencial é o horizonte de tempo, que pode ser muito maior do que o de um adulto”, afirma Icó.
Começar a investir cedo pode diminuir o valor das contribuições mensais
O tempo é um dos principais fatores no planejamento financeiro de longo prazo. Isso porque os rendimentos acumulados podem contribuir para o crescimento da reserva, diminuindo o esforço mensal necessário para alcançar determinado objetivo.
Uma simulação apresentada pela XP, considerando rentabilidade real hipotética de 6% ao ano, demonstra essa diferença.
Para formar uma reserva estimada em R$ 40,1 mil destinada a um curso superior presencial padrão, seriam necessários aportes mensais de aproximadamente R$ 140 durante 15 anos. Caso o planejamento começasse apenas cinco anos antes, a contribuição mensal subiria para cerca de R$ 577.
A diferença também aparece em cursos com mensalidades mais elevadas. Considerando um horizonte de 15 anos, a simulação aponta aportes aproximados de R$ 202 por mês para uma graduação em Engenharia e de R$ 2.861 mensais para uma reserva equivalente a uma graduação em Medicina.
Os valores são ilustrativos e não representam garantia de rentabilidade. Os cálculos consideram retorno real hipotético de 6% ao ano, contribuições realizadas ao final de cada mês e valores brutos, sem incluir impostos, taxas, bolsas de estudo ou reajustes superiores à inflação.
“Quando uma família começa a se organizar com antecedência, ela ganha tempo para ajustar os aportes, rever os objetivos e lidar com diferentes momentos da vida financeira. O planejamento não precisa começar com grandes valores: a regularidade e o horizonte de longo prazo são pontos importantes nessa construção”, destaca o especialista.
Tesouro Educa+ e outras alternativas para o futuro dos filhos
Entre as possibilidades para quem deseja construir uma reserva destinada à educação dos filhos está o Tesouro Educa+, título público desenvolvido para objetivos educacionais.
O investimento combina a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com uma taxa de juros contratada no momento da aplicação. A partir da data escolhida para o início do recebimento, o valor acumulado é convertido em 60 pagamentos mensais, distribuídos ao longo de cinco anos.
Outras alternativas incluem o Tesouro IPCA+, planos de previdência privada e diferentes produtos financeiros, que precisam ser avaliados conforme o prazo, os custos, a tributação, a liquidez e os riscos envolvidos.
Para Rodrigo Icó, a escolha do investimento deve acontecer depois da definição dos objetivos familiares.
“O investimento é uma ferramenta para realizar um objetivo. Antes de escolher um produto, é importante que a família tenha clareza sobre o que quer construir para aquela criança e em quanto tempo. A partir daí, fica mais fácil avaliar quais estratégias fazem sentido para aquela realidade”, finaliza.
Conta para menores permite acompanhamento dos responsáveis
Como parte das alternativas de educação financeira, a XP disponibiliza a Conta Menor, solução voltada a crianças e adolescentes, com acompanhamento dos responsáveis legais.
A conta oferece funcionalidades como Pix, pagamentos, cartão de débito digital e acesso ao ecossistema de investimentos da instituição.
A abertura é realizada pelo aplicativo do responsável, mantendo o vínculo até a maioridade. O menor utiliza a conta vinculada ao próprio CPF, com acesso individualizado e mecanismos de segurança. A partir dos 12 anos, também há validação por biometria facial.
Os responsáveis podem acompanhar as movimentações e estabelecer limites para operações financeiras, como transferências via Pix, pagamentos e utilização do cartão.
A proposta é permitir que crianças e adolescentes desenvolvam, gradualmente, habilidades relacionadas à organização do dinheiro, ao consumo consciente e ao planejamento financeiro.



