O bruxismo, caracterizado pelo hábito inconsciente de apertar ou ranger os dentes, pode impactar bem mais do que a boca. Estudos indicam que a condição afeta diretamente a postura e está relacionada à dor lombar crônica. A dentista Amine Senhorinho, mestre em ortodontia e especialista em DTM, Radiologia e Harmonização Facial, explica que a hiperatividade noturna da mandíbula envia estímulos ao sistema nervoso central, desencadeando alterações que atingem todo o corpo. “O paciente com bruxismo não sofre apenas com desgaste dental ou dor na face. O excesso de contração muscular também sobrecarrega a respiração, altera a postura e pode levar a dores persistentes na região lombar”, afirma.
Essa sobrecarga alcança músculos profundos da coluna, como o psoas e estabilizadores lombares. O ortopedista Djalma Amorim Jr., membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), reforça que muitos pacientes com dor crônica não imaginam que a origem esteja na mandíbula. “A sobrecarga muscular afeta o equilíbrio postural. O resultado pode ser fadiga, rigidez e dor persistente, o que exige uma abordagem integrada entre ortopedia e odontologia”, explica.
Entre os sinais de alerta estão dor lombar de origem muscular, rigidez, fadiga, sono não restaurador e alterações de equilíbrio. O tratamento deve ser multidisciplinar, unindo odontologia e ortopedia. As abordagens incluem placas de bruxismo, fisioterapia especializada, laserterapia, infiltrações, toxina botulínica em casos selecionados, correção postural e práticas de controle do estresse. “Quando há repercussão na coluna, é fundamental o acompanhamento conjunto com o ortopedista”, reforça Amine.
Para Djalma, a integração entre áreas faz toda a diferença: “Quando unimos a investigação odontológica e ortopédica, conseguimos mapear a origem da dor de forma precisa e oferecer ao paciente um tratamento mais eficaz e duradouro.”



