Levantamento da DataEventos aponta participação expressiva do estado no mercado regional, enquanto Salvador amplia calendário de encontros corporativos e de negócios

A Bahia concentra 21,9% do valor dos orçamentos de eventos registrados no Nordeste entre janeiro e maio de 2026, segundo levantamento da DataEventos, plataforma de inteligência da MeEventos. O resultado coloca o estado na segunda posição entre os mercados regionais acompanhados pela pesquisa, atrás do Ceará, que respondeu por 43,2% do total.
Os dados mostram a participação dos estados nos valores orçados para a realização de eventos, sem representar necessariamente o faturamento efetivo das empresas. Para o setor, os indicadores ajudam a identificar a demanda por serviços especializados, infraestrutura, tecnologia e profissionais qualificados.
Em Salvador, o calendário de encontros corporativos também apresenta movimentação. Segundo publicação da Secretaria de Turismo da Bahia, divulgada em agosto, a capital havia sediado 51 eventos corporativos e de negócios em 2026, com outros 14 confirmados até dezembro.
A captação desses encontros faz parte da estratégia de fortalecimento do turismo de negócios, buscando manter o fluxo de visitantes durante diferentes períodos do ano e reduzir os efeitos da sazonalidade.
Ceará lidera orçamentos e registra crescimento no setor
De acordo com a DataEventos, o Ceará apresentou crescimento de 18,6% no indicador de eventos entre janeiro e maio de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. No conjunto regional acompanhado pela plataforma, a variação foi de 0,5%.
Além da liderança cearense e da participação da Bahia, a Paraíba respondeu por 10,3% dos valores orçados no Nordeste, enquanto Pernambuco registrou 9,6%.
A distribuição evidencia a presença de diferentes mercados estaduais na demanda por fornecedores e serviços ligados à organização de eventos.
Para Leonardo Pereira, CEO do Grupo Pleno, a diversidade de atividades realizadas na região contribui para ampliar as oportunidades de negócios, mas também exige maior preparação das empresas.
“O Nordeste reúne a força das festas populares e o potencial dos congressos, das feiras e dos encontros corporativos. Para transformar esse movimento em negócios recorrentes, é preciso investir em planejamento, equipes qualificadas e tecnologia. Cada evento exige uma operação capaz de entregar qualidade, cumprir prazos e atender às necessidades do público e dos organizadores”, afirma.
Demanda por experiências impulsiona investimentos
Segundo Leonardo Pereira, o potencial de crescimento do Nordeste está relacionado à procura por experiências que ultrapassam os espaços tradicionais de realização de eventos, associadas também à atividade turística da região.
O executivo afirma que essa perspectiva orientou decisões de expansão do Grupo Pleno, que abriu uma filial em Recife, em 2014, e um novo posto de atendimento em Sergipe, em 2025.
A ampliação das operações acompanha a demanda por soluções de infraestrutura e serviços especializados, necessários para atender diferentes formatos de encontros, desde congressos e feiras empresariais até celebrações culturais.
Eventos movimentam economia de cidades do interior
O impacto econômico do setor também pode ser observado fora das capitais nordestinas. Em Arcoverde, no interior de Pernambuco, o balanço municipal do São João de 2026 apontou movimentação de aproximadamente R$ 147 milhões na economia local.
O levantamento também registrou crescimento de 21% nas vendas de permissionários e ambulantes em comparação com o ano anterior.
Os resultados demonstram como eventos culturais podem estimular diferentes atividades econômicas, incluindo comércio, turismo, alimentação e prestação de serviços.
Na Bahia e nos demais estados nordestinos, a combinação entre festas populares, encontros corporativos, feiras e congressos amplia as possibilidades de atuação para empresas que integram a cadeia produtiva de eventos.


