Dados do SisEmbrio mostram que 73% dos ciclos de Fertilização in Vitro realizados no estado ocorreram nessa faixa etária; especialistas orientam quando procurar ajuda.

A decisão de adiar a maternidade tem se tornado cada vez mais comum entre as brasileiras. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, as mulheres passaram a ter filhos, em média, aos 28,1 anos no Brasil. Na Bahia, essa média é de 27,9 anos, refletindo mudanças sociais, maior investimento na formação profissional e a busca por estabilidade antes da maternidade.
Esse novo cenário, no entanto, coincide com uma fase em que a fertilidade feminina começa a diminuir de forma mais acelerada. Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), vinculado à Anvisa, mostram que, em 2025, a Bahia registrou 1.185 ciclos de Fertilização in Vitro (FIV). Desse total, 869 procedimentos (73%) foram realizados por mulheres com mais de 35 anos, enquanto 316 ocorreram em pacientes abaixo dessa idade.
Segundo a médica Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora da Huntington Cenafert, a mudança acompanha uma transformação no comportamento feminino.
“Hoje, a maternidade não é mais uma obrigação, mas uma escolha consciente. A mulher prioriza investir na sua formação acadêmica e na sua carreira profissional e, por isso, adia seus planos de ser mãe.”
A especialista explica que a idade é um dos principais fatores que influenciam a fertilidade feminina. Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides durante praticamente toda a vida, as mulheres nascem com um estoque limitado de óvulos, que diminui progressivamente ao longo dos anos.
“A partir dos 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos começam a cair de forma acelerada até a falência ovariana total. E é justamente a partir dessa idade, quando a fertilidade entra em declínio, que muitas mulheres começam a pensar em ter seu primeiro filho”, destaca Gérsia Viana.
Quando procurar um especialista?
Os especialistas orientam que o tempo de tentativa para engravidar varia de acordo com a idade da mulher e sua condição de saúde.
- Mulheres com menos de 30 anos, sem alterações conhecidas de fertilidade, podem tentar engravidar por até dois anos antes de iniciar uma investigação.
- Entre 30 e 35 anos, o período recomendado é de até um ano.
- Após os 35 anos, a avaliação especializada deve ser iniciada após seis meses de tentativas sem sucesso.
- A partir dos 40 anos, a recomendação é procurar um especialista assim que surgir o desejo de engravidar.
A médica Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da Huntington Cenafert, ressalta que a investigação deve envolver o casal.
“A investigação da infertilidade sempre deve ser feita por ambos os parceiros para um diagnóstico mais assertivo, pois o homem também pode ter fatores que impeçam ou dificultem a concepção.”
Reprodução assistida e preservação da fertilidade
Quando a gestação espontânea não acontece, técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização in Vitro (FIV), podem aumentar as chances de gravidez, especialmente após os 40 anos.
Outra alternativa para mulheres que desejam adiar a maternidade é a criopreservação de óvulos, por meio da vitrificação. A recomendação é que o procedimento seja realizado, preferencialmente, antes dos 35 anos, período em que os óvulos apresentam melhor qualidade.
Também é possível optar pelo congelamento de embriões, obtidos após a Fertilização in Vitro, permitindo que a transferência para o útero seja realizada futuramente.
Segundo Gérsia Viana, a escolha do tratamento deve ser individualizada.
“A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista.”
Localizada em Ondina, em Salvador, a Huntington Cenafert é especializada em reprodução assistida e já contabiliza mais de 3.500 bebês nascidos por meio de diferentes técnicas. A clínica integra o Grupo Eugin, rede internacional presente em nove países e voltada ao desenvolvimento da medicina reprodutiva.


