No Dia Nacional do Surdo, especialista da Rico destaca que investir em acessibilidade fortalece o relacionamento com clientes e pode contribuir para o desempenho das empresas.
Às vésperas do Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro, a discussão sobre acessibilidade vai além da inclusão social e alcança também o ambiente de negócios. Para a especialista em finanças pessoais da Rico e primeira assessora surda da XP Inc., Thaísa Durso, a falta de produtos, plataformas e conteúdos acessíveis representa uma oportunidade perdida para empresas que deixam de atender uma parcela significativa da população.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE, o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 8,9% da população com dois anos ou mais. Apesar desse cenário, barreiras de acessibilidade ainda limitam o acesso desse público a serviços e informações.
“No mercado financeiro, enxergar apenas parte do público é uma forma silenciosa de limitar o próprio crescimento. A acessibilidade não deve ser vista como um custo ou gesto simbólico, mas como uma decisão de negócio estratégica associada a resultados mensuráveis”, afirma Thaísa Durso.
Estudos internacionais também apontam uma associação entre inclusão e desempenho empresarial. Pesquisa da Accenture, em parceria com a Disability:IN e a AAPD, indica que empresas com melhores indicadores de inclusão apresentaram desempenho financeiro superior em relação às demais organizações avaliadas.
Para a especialista, a acessibilidade também fortalece a relação entre empresas e consumidores.
“Ao incorporar a acessibilidade à jornada digital do cliente, as companhias ampliam seu alcance e fortalecem a resiliência no longo prazo. Mais do que afirmar que diversidade, sozinha, gera lucro, os estudos mostram uma associação consistente entre inclusão e melhor desempenho empresarial. Fora do balanço, o efeito aparece em um lugar igualmente importante: a relação com o público”, destaca.
Na avaliação de Thaísa, iniciativas voltadas à inclusão contribuem para a fidelização dos clientes.
“Marcas acessíveis se destacam porque a inclusão fideliza quem finalmente se sente representado, valorizado e integrado”, ressalta.
Como exemplo dessa estratégia, a Rico desenvolveu uma frente permanente de acessibilidade voltada à educação financeira em Língua Brasileira de Sinais (Libras). A corretora mantém a série Finanças em Libras, disponível em seu canal no YouTube, além de incluir conteúdos acessíveis como parte fixa da plataforma Riconnect.
O projeto também envolveu a criação e validação de sinais em Libras para termos financeiros que ainda não possuíam tradução amplamente consolidada.
“Na minha experiência, ensinar em Libras não é traduzir palavra por palavra: exige cuidado terminológico e didática pensada com a comunidade surda. Educação financeira só é completa quando chega a todas as línguas — e a Libras é uma delas”, conclui Thaísa Durso.


