Especialista alerta que doenças podem permanecer anos sem sintomas e evoluir para cirrose ou câncer de fígado quando descobertas tardiamente
As hepatites B e C continuam entre os principais desafios de saúde pública no Brasil por causa da evolução silenciosa da doença. Na maioria dos casos, a infecção permanece sem sintomas durante anos, enquanto provoca danos progressivos ao fígado. Quando o diagnóstico ocorre apenas em estágios avançados, aumentam os riscos de cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2000 e 2024, o país registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais. Desse total, cerca de 302 mil foram de hepatite B e mais de 342 mil de hepatite C, os dois tipos mais associados às formas crônicas da doença. Em 2022, as hepatites virais causaram 1.316 mortes no Brasil, sendo a maioria relacionada à hepatite C.
Segundo a gastroenterologista Kátia Fernandes, da Clínica SiM, o principal desafio é justamente a ausência de sinais nas fases iniciais. Ela explica que sintomas como cansaço intenso, pele e olhos amarelados, urina escura, desconforto abdominal e perda de peso costumam aparecer apenas quando o fígado já apresenta comprometimento significativo. Por isso, a realização de testes é essencial para identificar a doença precocemente.
A especialista destaca que a hepatite B pode ser prevenida por meio da vacinação, além do uso de preservativos e da adoção de cuidados para evitar contato com sangue contaminado. Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado. Em ambos os casos, exames laboratoriais e testes rápidos permitem o diagnóstico precoce, aumentando as chances de controle da hepatite B e de cura da hepatite C.
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