Especialista aponta aumento da carga tributária, impactos no fluxo de caixa e necessidade de revisão da estratégia fiscal do setor
A implementação da Reforma Tributária deve provocar mudanças significativas na rotina das empresas prestadoras de serviços. Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), especialistas alertam que o setor precisará adotar novas estratégias para preservar a competitividade e reduzir os impactos financeiros das alterações no sistema.
Embora a proposta tenha como objetivos simplificar a tributação, ampliar a transparência e adotar o modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), a expectativa é que empresas de serviços enfrentem um aumento da carga tributária. Isso ocorre porque o segmento possui uma estrutura de custos concentrada na mão de obra, despesa que não gera créditos no novo modelo, reduzindo as possibilidades de compensação tributária previstas pela reforma.
De acordo com Jordane Costa, coordenador do Núcleo Contencioso e Consultivo Tributário, a estimativa de uma alíquota em torno de 26,5% para CBS e IBS pode representar um impacto relevante para empresas enquadradas no lucro presumido ou que possuem baixa capacidade de aproveitamento de créditos fiscais.
Outro ponto de atenção é a adoção do mecanismo de split payment, que prevê o recolhimento do tributo no momento da liquidação financeira das operações. Segundo o especialista, a medida pode afetar o fluxo de caixa das empresas, especialmente aquelas que já operam com margens reduzidas.
Diante desse cenário, a recomendação é que as organizações iniciem desde já um planejamento tributário detalhado. Entre as medidas sugeridas estão o mapeamento das operações, a revisão de contratos comerciais, a reavaliação da cadeia de fornecedores e a busca por alternativas que ampliem a eficiência fiscal, permitindo uma adaptação mais segura ao novo ambiente tributário.



