Especialistas apontam que o olfato é um dos sentidos mais ligados às emoções e lembranças da infância
O cheiro da comida feita pela mãe, da casa recém-limpa ou até da terra molhada após a chuva pode despertar lembranças intensas e emocionais. Segundo estudo da Universidade de Utrecht, na Holanda, o olfato é considerado o sentido mais potente e duradouro do corpo humano quando o assunto é memória afetiva.
Isso acontece porque os estímulos olfativos estão diretamente conectados ao sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções e recordações. Na prática, determinados aromas conseguem transportar pessoas para momentos específicos da infância e fortalecer vínculos emocionais construídos ao longo da vida.
A jornalista Cleia Mota conta que o cheiro dos produtos de limpeza utilizados pela mãe marcou sua infância e permanece presente até hoje. “Minha mãe tinha uma rotina intensa, mas o cheiro da casa organizada por ela ficou guardado na memória”, relembra. Atualmente, a filha de Cleia também associa o aroma dos produtos à sensação de acolhimento e cuidado familiar.
Histórias semelhantes se repetem em diferentes famílias. A auxiliar de cozinha Adriane Barreto afirma que cresceu acompanhando os hábitos da mãe durante os cuidados com a casa e mantém essa relação afetiva até hoje. “São cheiros que remetem à presença, ao carinho e à sensação de conforto”, destaca.
Mais do que fragrâncias do cotidiano, especialistas apontam que esses aromas ajudam a construir conexões emocionais entre gerações, transformando pequenos hábitos domésticos em lembranças duradouras de afeto, cuidado e pertencimento.



